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Terras raras colocam o Brasil no centro de uma nova disputa de poder global

  • Foto do escritor: Katherine Devaid
    Katherine Devaid
  • 3 de mar.
  • 4 min de leitura

5 motivos para ler este artigo:


  • O Brasil detém 23% das reservas mundiais de terras raras, mas sua indústria de extração e processamento ainda está em fase embrionária.

  • A China domina mais de 90% do refino global, ditando os preços e quem tem acesso aos minerais.

  • Existe uma disputa silenciosa entre União Europeia, EUA e China pelos recursos brasileiros.

  • O Brasil vive um dilema histórico: continuar apenas exportando matéria-prima ou se tornar uma potência tecnológica.

  • Especialistas alertam: pode levar até 20 anos para o país construir sua própria capacidade de refino.


As enormes reservas de terras raras do Brasil estão despertando um interesse profundo dos EUA, Europa e China. A corrida por esses recursos críticos está em uma velocidade alucinante, colocando o país no centro de um "ímã geopolítico" na disputa pela supremacia tecnológica.


Agora, o governo em Brasília encara uma escolha estratégica: continuar sendo um exportador de minério bruto ou investir para criar uma indústria de refino de alto valor aqui dentro. De um jeito ou de outro, isso reacende o debate sobre soberania, política industrial e, claro, quem vai mandar nos minerais mais estratégicos do século 21.


As terras raras se tornaram essenciais para a transição energética e para a economia digital, sendo a base de tudo — desde celulares até sistemas de defesa. O problema é que o controle desses recursos é muito desigual, e as grandes potências estão suando para tentar diminuir a dependência que têm da China.


Por que as terras raras importam?


Esses 17 minerais são peças-chave para turbinas eólicas, carros elétricos, semicondutores, equipamentos médicos e painéis solares. Eles também são vitais para tecnologias militares avançadas, como mísseis e radares, além de serem indispensáveis na fabricação de ímãs permanentes.



Apesar do nome, as "terras raras" não são exatamente difíceis de encontrar na natureza. O que é raro, de verdade, é a capacidade industrial de separá-las e refiná-las. Esse processo é a parte mais sofisticada e valiosa da cadeia: é complexo, caro, exige cuidados ambientais rigorosos e é quase totalmente dominado pela China. Isso deixa países como EUA, Japão e o bloco europeu em uma dependência profunda da tecnologia chinesa.


O domínio da China


Segundo o Serviço Geológico dos EUA, as maiores reservas conhecidas estão na China, Brasil, Índia, Austrália e Rússia. Mas, mesmo com essa distribuição, a China manda em quase toda a linha de produção — do refino à fabricação de componentes de alta tecnologia.


A China faz cerca de 60% da mineração global, mas seu trunfo está adiante: 91% do refino mundial é feito por empresas chinesas, que também fabricam 94% dos ímãs permanentes do mundo (a aplicação mais valiosa desses minerais). A Agência Internacional de Energia já alertou que essa concentração é um risco geopolítico, permitindo que a China controle preços e dite o ritmo de setores estratégicos, como carros elétricos e semicondutores.


Brasil: muita reserva, pouca indústria


O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo (cerca de 23% do total), mas ainda produz e refina muito pouco. A indústria só começou a engatinhar em 2024, com a mina da Serra Verde, em Goiás. Mesmo assim, o material extraído ainda é enviado para a China para ser processado.


A China é o destino de mais de 60% das exportações brasileiras de terras raras no primeiro semestre de 2025. Existem acordos bilionários entre os dois países, e projetos importantes operam com contratos de processamento de dez anos com os chineses.


"O desafio não é só dinheiro ou engenharia. É domínio tecnológico", explica o químico Gilberto Fernandes de Sá. Segundo ele, nem Brasil nem EUA dominam hoje a tecnologia de separação como a China.

A "paquera" de Washington


No início de 2025, os EUA fecharam acordos com Ucrânia, Austrália e Japão para garantir minerais vitais, e um pacto similar com o Brasil já está em pauta. O ministro Fernando Haddad admitiu publicamente que as terras raras podem entrar nas negociações com Washington para diversificar investimentos e reduzir a dependência chinesa. Como a produção americana é baixa, eles buscam "países amigos" com reservas reais, e o Brasil é visto como um parceiro comercial estratégico nesse tabuleiro.


A Europa entra no jogo


A União Europeia também entrou na disputa, impulsionada pela assinatura do acordo Mercosul-UE em janeiro de 2026. Mais que um tratado comercial, o documento é visto como um realinhamento geopolítico. Em busca de autonomia estratégica, Bruxelas voltou seus olhos para a riqueza mineral da América Latina.


Ursula von der Leyen confirmou que a UE negocia projetos conjuntos de terras raras, lítio e níquel com o Brasil. A expectativa do Ministério de Minas e Energia é que investidores europeus anunciem aportes em pelo menos cinco projetos brasileiros até março.


O longo caminho tecnológico


Apesar do otimismo, o Brasil ainda tem um chão pela frente. Engenheiros do setor estimam que levaria de 15 a 20 anos para o país ter uma capacidade própria de refino. A complexidade química, o atraso tecnológico e a demora em licenciamentos são os principais obstáculos.


Por outro lado, o investimento privado começa a aparecer. A australiana Viridis Mining & Minerals anunciou um centro de pesquisa e processamento em Poços de Caldas (MG), desenhado justamente para operar sem tecnologia ou componentes chineses. Para o Brasil, a pergunta agora não é se temos o minério, mas se conseguiremos transformar essa riqueza em soberania tecnológica ou se continuaremos sendo apenas um exportador de matéria-prima.


 
 

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